quinta-feira, 15 de abril de 2010

Se um dia eu for embora...

Pessoas e amigos q me conhecem sabem. Não gosto de Campo Grande. Não me classifico como um ser naturalmente e genuinamente daki. Não suporto calor, não gosto de música sertaneja e quase morro de tédio pq nunca (digo quase sempre nunca) tem programas q eu gosto. Já faz um tempo q tento ir embora, mas sempre dá um zica e eu não consigo. Ainda não perdi as esperanças. Mas no dia em que eu for embora e alguém me perguntar do q eu sentirei mais falta dizer-vos-ei q sentirei falta das Araras.

Para um ser humano q se define o mais urbano possível, para mim, não existe cena mais linda do q estar dirigindo pela cidade de manhã e do nada vc ouvir aquela gritaria q vem lá de cima. Mata qualquer mau humor. Impossível não olhar e ver akeles animais coloridos q rasgam o azul do céu. Melhor ainda é depois de um dia cheio de aborrecimentos e lá pelas cinco e pouco da tarde elas passarem voando sobre ti. Sem saber, elas lavam a minha alma.

Meu pai é um grande cara e ele entende mto de animais. O q eu sei, aprendi com ele. Uma vez ele me disse q araras andam em par. Sempre em casal. E é verdade. Elas escolhem o seu companheiro e passam a vida com ele. Notei q arara q voa sozinha grita mais. Vai ver q é pra dizer pro outro q já está chegando em casa ou pode ser saudade. Ainda não decifrei.

Não sou fã de Campo Grande e Pantanal pra mim, só no mapa. Um dia eu vou embora e não vou poder fingir q não nasci aqui. Mas confesso q vai dar saudades de tomar um tereré ou encarar um sobá na feirona. Mas falta mesmo, vou sentir das araras porque beleza pra mim é conseguir unir urbano com a natureza.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Eu twitto, tu twittas, ele twitta...

A internet é atraente pq nos confere um monte de site e aplicativos bacanas. Vc acessa seu orkut, joga colheita feliz, fica on line no msn, posta tuas fotos no flickr e lê as notícias do dia. E assim, vão inventando um monte de redes sociais: my space, facebook e por aí vai. Confesso, eu não consigo ficar tão onipresente de modo on line.

Sim, tenho os meus cadastros, mas vos digo q a metade deles não me recordo a senha e ainda q eu tente deixar td uniforme, não adianta. Alguem pede senha alfa numérica ou o login q eu já uso é existente pra akele site. Prefiro reservar minha massa cinzenta para outras tarefas.

O twitter me cadastrei por sugestão da minha amiga Mariana. Depois q eu entendi como funcionava, achei o máximo pq é uma rede aonde anônimos e famosos coexistem. Nada mais justo. Só me assustei foi depois.

Acho desnecessário essa vontade de falar td hora. Td ser humano (com qualidades e defeitos) tem seu momento de silêncio. Suas pausas. Artista com twitter não. Td mundo tem q saber de suas idas ao banheiro e de suas epifanias diárias. Quer divulgar espetáculo? Blz! Mas td mundo realmente precisa saber a qtas anda seu intestino? Por favor!

Talvez eu esteja regredindo, enjoada de tanta tecnologia. Td mundo quer ser amigo de td mundo no virtual, mas faz tanto tempo q não vejo 99% das pessoas das minhas listas das redes sociais q tenho medo de ser só a lembrança de um post. Um mero perfil na página de qualquer um.

domingo, 14 de março de 2010

Missing

A impressão q tenho é q sempre me falta alguma coisa. Acho q é pq eu quero fazer td ao mesmo tempo e no final acabo fazendo nada.  Falta grana pra comprar td o q eu quero (será q realmente preciso comprar?) Falta tempo pra terminar akele projeto q está empacado (pq eu adio tanto?). Sempre falta alguma coisa. Eu não consigo me completar. Não consigo costurar o buraco.

Falta terminar de ler os livros da Martha. Falta paciência para as pequinesas da vida. Falta tempo pra sair pra caminhar com a Baby. Falta sempre um ingrediente da receita. Falta ver algum filme. Falta mandar arrumar o carro. Falta guardar a roupa q está fazendo aniversário na cadeira q está no quarto.

Qdo eu saio de casa eu sempre acho q esqueci algo. Qdo estou longe de casa eu passo a ter certeza. Ensaio discursos e mesmo assim as palavras me faltam. A falta se estende da ausência à saudade. Acho q já me acostumei a ser incompleta.

Por hoje, falta lavar a louça que está na pia. Falta encher as garrafas de água da geladeira. Falta dizer pra mim mesma que no final, como nos filmes, td dá certo e q não falta nada. Eu q estou em falta comigo mesma.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Meu pé esquerdo

No dia 11 de fevereiro consegui a proeza de romper o ligamento do tornozelo. Em uma quinta-feira, na fatídica sessão de cinema das 21:05 para assistir “AVATAR”, versão em 3D (para ter emoção, né?) na hora de sair da sala (ainda escura por sinal), não vi q faltavam dois degraus e lá fui eu me esborrachar no chão.
Nem preciso dizer q foi o pior carnaval da minha vida. De muletas, tala, compressas de gelo e gesso. Tornei-me uma pessoa dependente. Dirigir, nem pensar. Fazia um bom tempo q eu não ficava sem rotina. 15 dias vc aguenta, depois bate o desespero. Pois é, crianças. Assisti as 3 temporadas de Big Bang Theory, a quarta temporada de Heroes, a trilogia do “Cubo” e mais uns filmes.
Engraçado como a gente não sabe o q fazer com o tempo ocioso quando finalmente o tem. Há dias q coloco alguns pendências em ordem. Estudo alguma matéria de concurso. Durmo. Fico meia horinha na internet. Mas parece q eu estou cometendo algum delito, praticando algum crime ou pior, me sinto uma pecadora.
Tem gente q fala: “Ahhhh aproveita”. Mancando? Duvido. Esgotaram-se minhas opções de lazer. As pessoas estão trabalhando enquanto eu mofo no sofá. Hj decidi organizar algumas coisas, arrumar guarda-roupa. Atividades q procrastinamos.
Mas é isso aí. Hj reclamo da minha ociosidade. Amanhã, quando eu estiver inteira vou reclamar da falta de tempo. Nunca ficamos satisfeitos com o q a vida nos oferece, mas te garanto q já vou ficar feliz qdo meu tornozelo estiver zero bala.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

À Kelly, com carinho

Eu nunca fui de ter preconceito. Sério. Desde criança. Na realidade nunca suportei ver pessoas excluídas. Na escola, se alguém era motivo de chacota eu me aproximava da pessoa e nascia uma amizade. Eu contava pra turma q não era mto bem assim e no final tds éramos amigos.

Mas a gente cresce. Eu nunca mudei nesse sentido. Converso com qualquer ser humano. Acontece q na véspera de Natal eu conheci uma pessoa bem bacana chamada Kelly.

Kelly é um(a) travesti. Não sei seu nome de batismo e na verdade não me preocupo em saber pq o q vale é como ela mesma de intitula. Quem sou eu para descordar? Kelly e eu descobrimos mais coisas em comum do q imaginávamos.

Somos apaixonadas pelos nossos gaúchos e sim provocamos briguinhas pq não acreditamos numa relação perfeita. Só mel não vale. Tem q ter stress e fazer as pazes. Kelly me contou que ficou 6 meses em Santa Cruz de la Sierra (na Bolívia) dando close.

- Como? – Indaguei ingenuamente. Dar close? Traduzindo: Fazendo Nada. Acontece q travestis não fazem nada. Dão close. Fazem pose. Exibem-se. E eu adorei. Tem coisa mais bacana do q inventar palavras? Expressões? Quer outra? Bater o cabelo. Ela brigou com não sei quem e bateu o cabelo.

Eu não me choco. Sério. Dou risada. Não de deboche, longe de mim. Imagina, vc dar a cara à tapa para a sociedade, pagar um preço salgado pra vc provar q veio no corpo errado enquanto tua alma diz q vc não é João, mas Maria. O q fazer? Quer um conselho? Vai dar um close!

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Regras pra q te quero?

Quanto mais regras impomos para o amor, mas nos distanciamos dele. Inventamos coisas absurdas. Não se envolver com gente de cabelo puff, pessoa q não for da mesma religião ou nem começar um namoro à distância.

Fazemos na melhor das intenções, tentando nos proteger da dor do Amor. Podemos cortar a mão, pisar num prego ou bater a cabeça numa porta de vidro, mas nada dói mais do q dor de amor. Para isso, pegamos o mapa do tesouro e o invertemos na esperança de, de repente chegar ao grande X sem ter q passar por obstáculos.

Só q o amor acontece. Não sabemos muito bem como, só flagramos qdo nos vimos ali, pensando fora da hora do dia, pegando o celular pra ligar ou para mandar mensagem ou quando nos confidenciamos com nossa melhor amiga.

Mas daí lembramos q ele tem cabelo puff, q gosta de um “pagodinho”, q ele não é mto o q tua família espera de ti. É como se o castelo se desmoronasse, como se um alarme soasse: “Não , ele não é pra vc”.

Coisa besta. Vivemos anestesiados. Ser corrupto, td bem. Impunidade, coisa básica. Mas ser tomado pelo Amor sem ele ter a aparência q vc imaginava e mesmo assim gostar dele, aí sim é uma Grande Surpresa.

Não invente essas regras. Elas são apenas ponteiros de um relógio quebrado, não servem pra nada. Nesse caso não funciona aritmética. Esqueça q dois mais dois são quatro. Amor, pra valer, não vem de mansinho. Chega no grito.

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

O melhor avô do mundo

Eu sempre digo q sou uma pessoa de sorte. Tive gdes avôs. Do meu avô materno tenho vagas lembranças, mas um carinho gigante. Ele faleceu qdo eu tinha 4 anos. Mas o meu avô paterno posso dizer q foi o meu primeiro melhor amigo.

O Vô Roque morava a uma quadra da minha casa. Era o cara q me buscava na escola no final da tarde. A figura q me presenteava com uma garrafinha de coca-cola qdo minha avó fazia uma bacia de pipoca pra q eu comesse enquanto assistisse o Jaspion e Changeman.

O meu avô permitiu q eu convivesse com as pessoas mais simples do mundo. Ele deixava eu brincar na casa dele e minhas fantasias infantis íam a mil. Pra mim, ali era o melhor parque de diversões do mundo.

Qdo meu avô morreu, foi horrível. Parece q ele tinha levado com ele td o q ele tinha me dado. Tds as lembranças, tds as brincadeiras, nossas partidas de dama e de baralho. Foi uma solidão irreparável.

Mas foi preciso ele morrer pra eu entender como a Morte funciona. Engraçado, tem gente q fica com raiva e eu imediatamente só consigo lembrar sorrindo. Não vou mentir q meus olhos marejam, mas se formos apurar o saldo, te garanto q os sorrisos sobressaem.

Impossível não rir ao lembrar desse cara. Só peço a Deus q meus filhos tenham a mesma sorte q eu tive. De ter um avô maravilhoso q sempre me amou do jeito q eu sou desde o dia em q eu cheguei na casa dele.