quinta-feira, 26 de junho de 2014

Tudo Passa


 


 Para Dani e Marcela
Tudo passa. Tudo. É inacreditável no primeiro minuto de dor, mas funciona. Vai por mim. Acontece q o tempo não é mentiroso. Ele corre no ritmo q deve. Ele segue a natureza. Ele tem uma ordem.

Primeiro a gente se machuca. Lava-se o ferimento. Arde. Arde pra caralho. Coloca remédio. Choramos. Faz-se o curativo e fica de repouso. Daih forma a primeira pele. Frágil ainda. Como somos teimosos, achamos q ta tudo bem e voltamos a correr riscos. Ferimo-nos de novo. Recomeça o ciclo, mas daí na parte do repouso a gente obedece. Vai formando a casquinha. Dá aquela vontade louca de tirar. Tem os teimosos e tem os cagões. Espera a casca cair e voilá! Uma cicatriz. Ok! Podemos voltar à ativa, com mais prudência, de preferência.

Na vida é assim também. Recapitulando, no ano passado não foi fácil pra ninguém. Em particular tenho duas amigas q perderam os seus bebês. Perto de qualquer dor q eu tenha passado, nada iguala. O que nos aproxima é o medo de recomeçar. É o medo de acreditar q vai ser diferente. Eu digo que pra quem viveu uma grande decepção o que incomoda é q ficamos inflamadas.

É isso. Já passou, cicatrizou, mas toda hora q toca dói. Se há dor, é porque não curou, não é mesmo? E temos q fazer o inevitável. Abrir e deixar vazar, limpar de verdade. A gente se ilude achando q porque está fechado é porque está tudo bem e na verdade não está.

Esse processo é muito doloroso. Não é o assunto da próxima aula de biologia. Não vai cair na prova. São lições que a vida dá como prova surpresa e vc tem que se virar, porque senão reprova direto.

Eu acredito que passa porque td isso já passou. Só conta história quem sobrevive. Hoje essas amigas são vitoriosas. Realizaram os seus sonhos. Às vezes o melhor das histórias não é ser protagonista, mas testemunha, por isso que confirmo: tudo passa.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Por que vc está solteira?



Tem gente que acha q é castigo. Há aqueles q pensam é azar, que seu prazo de validade venceu. Ultimamente tenho notado que seja algo regional. Onde eu moro parece que você tem q obedecer a um ciclo. Vc nasce, cresce, namora, faz faculdade, se forma, casa, tem filhos, fica gordo e morre.

Como diz a minha mãe, vc não é todo mundo, lógico que o meu ciclo deu um salto mortal triplo de costas e eu sou a pessoa, largada, solteira, sei lá como me nominar. Quando me perguntam sobre o meu estado civil eu tenho respondido: Tô de boa.

Parece resposta de ex-dependente químico, mas é mais ou menos por aí. Descobri uma coisa: Eu não sei namorar. Ainda que eu seja uma pessoa digital e conectada, meu coração é analógico. Sou à moda antiga. Gosto de mãos dadas, cineminha, conhecer família, fazer planos e se puder um dia construir a vida com a pessoa.

Como hoje em dia está td caminhando para amores relâmpagos decidi seguir a filosofia: “Não sabe brincar, não desce pro play”. Simples assim. E vos digo: Funciona.

Funciona porque não se envolve, não se ilude. E depois de um certo tempo quem é de verdade sabe quem é de mentira e aí vc só entra na brincadeira se realmente quiser correr o risco. E como eu já entrei na fase da Leoa, eu não fico bancando de gatinha.

E não é uma questão de se achar a última bolacha do pacote. Nada disso. É vc não se contentar com pouco. Simplesmente eu não posso ter qualquer pessoa na minha vida. Eu não posso trazer para dentro da minha rotina um ser humano que não me aceite, que não me admire, que tenha vergonha de mim, que critique meus amigos, que não suporte minha família e que não aceite a Baby.

Convenhamos, solterice não é o fim do mundo, não mata e não é contagioso. Existe sim o período de entre safra, mas principalmente o período sabático que o teu coração merece. Não tem como não se recordar de “Comer, rezar e amar”. Mais do que entrar numa viagem consigo mesma, Elizabeth quer se maravilhar. Ela quer ser feliz sozinha e esse é o grande sonho de quem de repente está há anos pulando de um relacionamento pra outro.

Entre príncipes e sapos não existem feridos. O melhor final feliz é aquele que a gente inventa. Eu estou fazendo a minha própria história. Enquanto o amor não vem, eu vou vivendo a maior história de amor: comigo mesma.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Amores Vencidos




Que seja eterno enquanto dure já dizia Vinícius de Moraes. Eu já digo que alguns amores nascem com prazo de validade. Vc olha e já vê que está condenado, ou demora pra enxergar. Ruim? Moderno? Não importa. Vamos parar com essa mania ultra romântica de achar que tudo dura para sempre. Até os filmes da Disney abandonaram essa idéia. Já pra não frustar a criançada, para não criarem expectativas ou de chegar aos 30 se achando um loser.

Mas que o mercado amoroso ta complicado, isso tá. Repara só. Antes já brincavam que se passasse de três meses havia superado o contrato de experiência, assim como no Direito do Trabalho, mas eu vos digo: se vc superar os 30 dias que é o prazo do Direito do Consumidor, minha amiga, Parabéns! Vc acaba de completar a fase um com sucesso! Se passar dos 3 anos, aí sim, vc concluiu o estágio probatório, como reza a Constituição Federal, mas vc sabe corre risco de alguma sindicância, processo administrativo, exoneração, enfim, mas já dá pra dizer que vc até que foi longe demais.

Os 30 dias ou um mês, como vcs preferirem não é o mar de rosas, é o conto de fadas. Perfeito. Não deu tempo que focar nos defeitos. O cara te liga pra dar bom dia, te manda whatssapp, quer te ver, quer saber da tua vida e ainda que vc esteja com o freio de mão puxado, não tem como não se render. Convenhamos: o rapaz está interessado! Dependendo do grau de carência vc mergulha ou vc acha que está bom demais pra ser verdade. Logo, pra garantir, vamos #sóobservando e stalkeando as redes sociais do cara e pimba! Não tem um resquício do passado negro e vc acredita que ele é um bom moço.

Mas... minha amiga, deu um mês e alguns dias pode saber... alguma coisa vai acontecer e acontece. Não é o fato do cara não responder as msgs, ou não estar mais empolgadinho, nada disso. Mulher lê essas entrelinhas, o pior é o discurso. “Crônica de uma morte anunciada” – que Deus tenha Gabriel Garcia Márquez, ou discurso da Eliminação do Big Brother, by Pedro Bial que o cara proclama:

“Vc é muito especial. É uma mulher maravilhosa. Qualquer cara seria feliz ao seu lado. Vc é linda, inteligente, guerreira. Uma mulher independente. Vc não precisa de ninguém. Vc já viajou o mundo, já se formou, vc fala 3 línguas, é pós graduada. Vc tem sua casa própria, seu carro. Vc tem seus amigos, seu trabalho, mas vc está sendo eliminada com 85% dos votos”.

Oi??????

Vamos recapitular:

Eu deveria ser feia, bangela, não retocar a progressiva, ter o cabelo puff, ter mau gosto, alienada, semi analfabeta, pobre, anti-social, sem cultura, desempregada pra ter uma chance com vc? É isso mesmo, produção?

Assim, mamãe e papai investem na gente, colocam pra estudar nos melhores colégios, paga aula de ballet, põe pra fazer piano, vc cultiva tua vaidade, vc se esforça pra caralho pra ser alguém na vida, se dá o mínimo de lazer, investe na tua carreira pra vc ser eliminada porque vc buscou e busca ser melhor?

No começo a gente não entende, chora, enche a cara, vai pra terapia, chora no colo das amigas. Com o tempo vc começa a se distanciar porque a história se repete, os paredões do amor continuam e não há big fone e prova da comida que te salva. A não ser o anjo, que é a tua velha amiga ou amigo gay que te põe pra cima e te obriga a limpar essas lágrimas, caprichar no rímel e sair bela e formosa para ser recepcionada pelo público, porque no final, quem estará lá te esperando são seus verdadeiros amigos e tua família que te ama assim, desse jeito que vc é.

Não, minha sister, vc não foi eliminada. Quem é a líder é vc. Da tua vida, da tua história e do teu coração. Ele é só mais um, daqueles que no próximo big brother da vida quando a gente tentar lembrar quem mesmo que foi eliminado na primeira semana? Ninguém vai nem lembrar a cara dele. Vai por mim, ele vai virar um sub-celebridade na tua vida.

Bial, não é nada pessoal, apenas não rolou afinidade.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Abriu o Abril



Escrever é despir-me. Como as artistas burlescas. Faço strip-tease da minha dor, das minhas intimidades. De tudo que eu tenho gigante dentro de mim e quero que tome forma no mundo.

Escrever é urgência. É minha necessidade. Falo, converso muito, mas nada supera o q escrevo. Ou no caso, digito.

Quando o que tenho não sai do meu íntimo, vai me corroendo e assim estou.

Minha vontade era de te escrever uma carta, passar de madrugada na tua casa e deixar na tua caixa de correios. Pensei nisso várias vezes, mas não é possível. É muito retro, muito démodé, muito eu.

Ver minha letra, redonda e ao mesmo tempo trêmula é como sentar na tua frente e olhar dentro dos teus olhos. É eu estar aí, na tua casa, na tua frente, nua em um cômodo de luz acesa. Dá-me pânico.

Escrever é me exorcizar.

Preciso, necessito arrancar a dor, você, as lembranças, meus sonhos, as esperanças e tuas promessas. Vc não imagina e talvez nem saberá que já chorei sentei na beira da cama com muitas saudades de vc. Abracei a mim mesma como forma de desespero, na tentativa de curar a dor.

Engoli regras, soluços, saudades tudo junto misturado de uma vez só. Enquanto na realidade eu queria ser passional, sair correndo ou gritar com vc no telefone e te dizer “Pelo Amor de Deus não saía da minha Vida”, mas vc já havia saído e eu demorei demais pra notar.

Chorei depois.

Choro agora.

Não sei se foi castigo, se foi afobação se foi burrice minha. Mas eu acreditei. Achei q havia chegado a minha hora. Tinha certeza que era agora e era você. Idiotice acreditar que eu estava dominando o destino, o tempo, a história das nossas vidas.

Se antes eu havia tomado uma voadora nas costas, agora eu tomei uma rasteira. Fiquei de canto, escanteio, no cantinho da disciplina.

Lembra que uma vez eu disse que se vc quisesse eu sumiria? Pra nunca mais? Eu sei fazer essa mágica. Faço chorando, sangrando, contra a minha vontade. Mas faço porque não sei ficar aonde não sou bem vinda. Sou corajosa até demais. Encaro tropa sem colete à prova de balas, dou cobertura, recolho feridos. Só não sei lutar aonde minhas balas não atingem.

Recolho-me. Sumo. Fico off line. Não te preocupes. Não pixarei o muro da tua casa, não te ligarei. Mas sentirei. Sentirei arder tudo o q sinto por ti, aqui.  Sozinha. Calada. Sem invadir tua rede social, farei à moda antiga. Ouvindo músicas, tomando porre e chorando no colo dos amigos. Porque quer eu queira ou não, não existe tecnologia que ainda nos cure da dor. 


quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Don't dream it's over



Ninguém nos ensina a perder. No fundo ninguém está preparado para o não. Coisa louca achar que se pode ser forte 100% e 24h por dia. Sim, a vida bate e com muita força. A gente tenta enxergar o futuro, o saldo. Pensa que um dia vai rir disso tudo, mas esse dia demora pra chegar. Quando sua amiga perde, vc também tem prejuízo. Se ela sofre, vc chora junto porque não dá pra sorrir e nem ser feliz se a pessoa que acompanhou sua adolescência e sentou ao seu lado no colégio e na faculdade está arrasada.

Não dá pra ignorar nada disso. Vc a conhece. Vc sabe seus sonhos e planos. Vcs mataram aulas juntas, pegaram exame. Foram a tantas festas. Ela sabe de coisas que seus pais talvez nem sonham. Amiga é cúmplice. Não basta ser irmã, ela é testemunha. E vc sabe que quando ficarem velhinhas a memória de uma ajudará a outra. E seus filhos serão amigos e seus maridos também. E nada nesse mundo mudará isso.

Por hoje a minha amiga Marcela está em dor. Fisicamente eu não estou lá. Ela não ligou para me avisar. Entre nós não existem protocolos. Ela avisou apenas a Sônia e bastou para eu me despedaçasse. Chorei. Fiquei arrepiada. Perguntei para Deus porquê dela. Porquê com ela. Segunda vez. Segunda vez que perde um nenê. No comecinho da gestação. Um embrião de vida e de sonhos. Agora ou nunca. All in. Todas as fichas.

Eu só ouço: Ele sabe o que faz. Dizem que Deus é perfeito até na dor. Não envia nada que seja maior para carregarmos, mas às vezes eu penso que ele esquece que a nossa carroça está quebrada ou que não mandamos o nosso carro pra revisão. Dá aquele desespero no peito porque quando a gente sabe que é um projeto de vida, que não é brincadeira e nem aventura, por que permitir tanta dor? Por que dar e tirar?

Existe sabedoria nisso. Ele tem certeza que por mais dolorido que seja perder agora e por mais injusto possa parecer, certamente seria pior lá na frente. Com o quarto montado e com o nome escolhido. Seria muito mais dolorido passar os nove meses radiante para morrer por dentro por falta de força, falta de vida.

Eu acredito nas escolhas Dele. Como o pai que cuida de um filho. Toma sua mão para atravessar a rua porque sabe que a criança não aprendeu cuidar o semáforo, não olha para os dois lados, não pisa na faixa de pedestre. Pai que é pai segura a mão, leva consigo e ensina porque uma dia ele fará sozinho e se lembrará da lição ainda que fisicamente o pai não esteja ali.

O sonho ainda não acabou.
don't dream it's over

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Amores tortos

Amores tortos

Já são quase 3 meses de separação. Sobrevivi. O mundo deu muitas voltas. Saí do vale das lágrimas caí no rio do álcool e hj bem, hj nao sou mais a mesma. Mudei. A dor me fez outra pessoa. Transformou-me em uma mulher. Costurei-me com os instrumentos q tinha e fiquei com cicatrizes de guerra. Mesmo assim estou orgulhosa de mim.

Quando sua dor a aproxima das pessoas vc nota q de repente seu problema não é nada perto dos outros e que tem muita gente parecida contigo. Quem já passou pode dar o testemunho e vc decide o q fazer com essa informação. Eu reuni muitas historias, conselhos e experiências de pessoas queridas q de certa forma tentaram me confortar. Sou só agradecimentos.

E eu precisei disso tudo. Um término de relacionamento de 5 anos na casa dos 30  em nada se assemelha qdo vc está na adolescência ou na casa dos 20. A não ser o chororo, fossa e a marca do pé na Bunda ou da voadora nas costas, como foi o meu caso. Não rola vc sair e pegar o primeiro q lhe dá moral. É tudo tão estranho. 

Começa pelo teu guarda roupa q não precisa ser necessariamente de uma mulher casada, mãe de família, mas q também não é sexy, não é cult e tem roupas que cobrem seus ombros, pernas e decote. Depois vem a sensação de peixe fora d'água nos lugares. Vc se assusta com o preço da cerveja, vc se choca ao ver meninas q pegam 2 ou 3 enquanto vc não sabe nem quem tá tocando naquela noite. 

Se vc eh do tempo da paquera, então vc sofre. Não da pra competir com quem tá no mercado há mais tempo q vc.  Decidi me diverti. Do rock ao sertanejo. Arrocha que ela gosta. Permiti-me. Fiz amizades femininas. Descobri que sim, a vida continua e que sim, dá pra ser feliz sozinha. 

O mais importante: descobri que não se fica tanto tempo sozinha. Depois de viver, do meu jeito, essa experiência, a gente descobre que pode voltar a ser interessante aos olhos dos outros. E quando vc passa por uma barra dessas e sobrevive, isso t torna especial. T fortalece. T prepara para o próximo. 

Acho q darei conta de viver um novo amor se a vida me permitir. Desse novo amor não peço muito, mas me conhecendo como eu sei, calculo que será um grande desafio. Sempre é. Se não for uma superação pra mim parece q não tem graça. E amor tem q ter um quê de dramalhão. E os amores que chegam conforme nossa idade avança vem cada vez com a bagagem pesada. Ex marido, ex mulheres, filhos, contas, famílias etc. Um pacote com ônus e bônus. Um sonho de tentar ser feliz e acreditar q agora vai. 

Vou deixar o tempo correr. Vou amarrar a minha ansiedade. Vou dormir até tarde, deixar a louça acumular na pia e comer porcaria sem minha mãe saber. Morar sozinha t permite essas coisas. Deixarei os sapatos fora do lugar, toda maquiagem espalhada no banheiro e o roupeiro lotado. Sem marido, ninguém me manda. Estar sozinha, sim pq é um estado, deve ser um tempo bem aproveitado, curtido. Mas prometo que não quero me estender tanto tempo assim. Qdo eu enjoar ou estiver pronta, voltarei com tudo, casamento, aliança, filho e com sobrenome do marido. E assim viverei feliz para sempre. #amém.


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Amor de Vizinho





Sempre morei em casa. No centro da cidade. Bem na selva de pedras. Carros, buzinas e barulho. Só na infância tive amigos da rua, depois de um pouco mais crescida não mais. Pra não dizer que eu não tinha amigos, restou o Rubens q morava na rua do lado e o Daniel que morava no bairro próximo. Éramos os 3. Daí a gente cresce, muda de escola e se distancia.

Pra piorar sou filha única por parte de pai e caçula por parte de mãe. Então, pra brincar só com as primas e as amigas da escola. Quando eu era criança eu tinha inveja de quem morava em bairro. Eu via as primas brincando na rua e eu morava numa avenida hiper movimentada. Pedia para os meus pais para eu mudar de casa, só para ter mais amigos. Meu sonho era ser uma criança da rua e não “de rua”.

Agora eu consegui ter a minha casa. Digo, apartamento. E é em um bairro. Qdo ficamos adultos acontece aquela coisa de vc se fechar. E tb esquecer que vc era doida para ter mais amigos pertos, vizinhos. Precisou acontecer uma tragédia pessoal para que eu ganhasse amigos.

Eu não sei o q seria de mim sem os meus vizinhos. Sem aquela pessoa q bate na tua porta mesmo a casa uma zona e a pia transbordando de louça. É tanta intimidade que não me sinto constrangida. Justo eu que não bato, não ligo antes de visitar, eles me ensinaram que não pode ter frescuras com eles. Sou eu na versão mais crua e bruta possível.

Assisto tv na casa deles. Tomamos tereré. Sentamos em frente ao bloco pra tomar cerveja. Eles vem me ver. A vizinha de cima além de dividir a internet bate na minha porta para q eu mate as baratas que venham aparecer. A vizinha da frente me liga pedindo pra ajudar a abrir uma garrafa de vinho. Tenho vizinhos que me dão remédio pra dor de cabeça quando estou de ressaca. Por essas e outras eu descobri que eles são como anjos da guarda.

Em tempos de facebook, de gente que mais olha no celular do que nos olhos, ter eles por perto é uma benção.