terça-feira, 1 de julho de 2008

Eu quero ser Jardineiro


"A vida das gentes neste mundo, Senhor Sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama. Pisca e brinca. Pisca e ama. Pisca e cria filhos. Pisca e geme reumatismos. Por fim, pisca pela última vez e morre.- E depois que morre? perguntou Visconde.- Depois que morre vira hipótese. É ou não é?"

Monteiro Lobato, em Memórias de Emilia.

Às vezes nossa missão aqui é simples. Viver. Ser ridículo. Se permitir ser palhaço. E correr. Não pela pressa, mas correr pq não existe amanhã pra td mundo. A gente tem medo de muita coisa e fica travando a vida q pede para ser usada. Às vezes a gente vem pra cá só pra contar história mesmo. Rascunhar capítulo. Sair em uma página. Não precisa ter um livro, uma árvore ou um filho. Talvez td isso seja uma grande bobagem. Demodê demais. Mta gente quer ser médico, advogado, funcionário público. Coisas dos tempos dos nossos pais. A gente deveria ser jardineiro. Sério. Não ria. Vir para plantar e colher. Rosas, orquídeas e sorrisos. Pq qdo um jardineiro suja suas mãos, as sujam para fazer o bem. Mas não, a gente se prende, gosta de ter corrente nos pés, algemas nos pulsos. Gosta de fila, de preencher formulário de pedir protocolo. A gente deveria olhar menos no relógio, beijar mais quando o semáforo fica vermelho. Deveríamos usar mais verde, alaranjado e amarelo. Pq a nossa verdadeira missão é ser menos chato e plantar, pq nossas sementes é q nos faz ser eternos.

domingo, 22 de junho de 2008

IsaÉbela


Isa ouve Oasis e não gosta de acordar cedo. Isa sempre estudou nesses colégios grandes, tipo católico sabe? Mas nunca se apegou a isso. "Escola é um lugar onde se aprende palavrão" - ouviu uma vez em uma canção, mas não se lembra qual. Isa nunca se lembra de td. Mas não esquece das amigas. Isa sabe a data de aniversário de cada uma e vai à casa delas no dia. Isa acorda muito tarde no domingo. Não toma café da manhã e nem almoça. Isa faz Brunch. Se sua cidade está chata demais, não importa. Se manda pra SP e td fica lindo. A noite nunca foi tão rock'n'roll. Ela é mais simples do q mta gente pensa. Ela troca seu almoço por um bombom. Janta coca-cola. Isa não tem namorado pq namorados são chatos demais. Amores virtuais dão menos dor de cabeça. Isa gosta de cinema. Ela mesma é uma Nouvelle Vague. Isa usa o mesmo casaco do 3º científico pq quem envelhece são os outros e nunca a gente. Sempre seremos aquelas gurias sentadas no fundo da sala ouvindo "Don't look back in anger".

domingo, 18 de maio de 2008

"A Maldição do Enxoval"



Era uma vez uma guria q nasceu no berço de uma família tradicional, mas tão tradicional q seu nome adveio de uma promessa feita por sua mãe à uma santa, na esperança de ter uma filha. Por isso a batizou de Laura.
Uma família à moda antiga. Pai, mãe, irmã, cachorro, casa, carro e avós que moravam à uma quadra da casa da neta caçula. Uma mãe que seguia a cartilha da vida à risca. Filha-Mulher tratada como boneca q vivia como princesa com direito à castelo e sua própria Masmorra.

Mas o sonho dessa mãe era ver sua filha de porcelana casar-se. Como sua pressa era imperiosa, tratou de organizar o futuro de sua herdeira, antes mesmo que ela quisesse. Logo, a mãe tratou de dar o primeiro passo. Não, não a prometeu a nenhum príncipe, mas começou o enxoval de sua filha. Um pano de prato aki, um crochè acolá. Aos 12 anos a filhinha já tinha o seu "kit-amélia" pronto. Detalhe: Sua menarca não havia chegado.
Enquanto isso a filha deixava para depois essas fases da vida. Sonhava salvar o mundo e outras cositas más. Foi retalhando os sonhos de sua mãe e o pobre (ou seria poDre) enxoval ficava lá. Nas portas suspensas do guarda-roupa na esperança de um dia servir sua ama. As peças amarelavam-se, mas a matriarca substituí-as, pois um dia, sua filha precisaria de uma toalha ou um pano de prato.

Até que um dia, triste e desolada, a filha já velha, tão velha quanto o caminho de mesa de seu enxoval, se perguntava pq não era feliz no amor, pq não lhe estava reservado um príncipe ou um sapo que o valha. Tão breve caiu em si, compreendeu que a culpa era do amaldiçoado enxoval que a acompanhara desde a infância. E num ato de coragem, no dia de Santo Antônio, ateou fogo em td o q compunha seu primeiro dote. Eram panos de pratos pintados à mão, edredons, lençóis que ser tornaram uma grande tocha que iluminavam o quarto de Laura, exorcizando toda a sua revés.
A matriarca ensandecida tentou em vão apagar as chamas, era tarde demais. Td seu trabalho de uma vida se transformou em brasa. Td sonho dourado derreteu. E Laura se libertou de um sonho que não pedira e de um amor que nunca viera, pq o verdadeiro amor não nasce de panos.

sábado, 12 de abril de 2008

O Brasil é um Cirque du Soleil


Na boa, com tanta palhaçada que acontece no nosso país, eu não preciso pagar quatrocentos pila (sic!) pra ver um bando de francês-alemão-chinês-koreano pra se contorcer. Eu já faço isso tds os dias. Eu me desdobro, engulo sapos, jacarés e rinocerontes de tanto desaforo que levo no trabalho. Consigo pegar o meu salário e fazer caber dentro dele as despesas supra-sumo-básicas pra não conseguir deixar o saldo bancário negativo. Isso sim, meus queridos é Mágica.



Fora meus quatrocentos pila (sic!) vão pro bolso do Tio Lula e Tio André Puccinelli, respectivamente. É tanto imposto, tanta taxa, tarifa que por enquanto a única coisa que eu não estou pagando é o ar q eu respiro. Minto, pago sim. Tem a porra do seguro do carro "Carbono Neutro", quer dizer, pago para que não desmatem as florestas pq senão eu teria q pagar um botijãozinho de ar pra carregar de mochilinha nas costas.



Engraçado, o povo pága mesmo pra ver tal do circo francês. Sai da PQP pra ir pra SP ou RJ pra assistir. São coisas q não me conformo. Reclamam "afu" para comprar um cd original de um músico brasileiro, mas bancar "Alegria" eles têm grana. Para os que já foram assistir, devem estar indignados ao ler td isso. Não discordo que seja um espetáculo de outro mundo, que td é perfeito e lindo. Acho bacana que consigam provar q é possível fazer um circo sem animais dar certo. Mas sinceramente, se for pra ver palhaçada dos outros, a minha já me basta.


sexta-feira, 28 de março de 2008

Good Night and Good Luck - Filme da Semana


George clooney arrasou. Não por seus papeís de galã, mas por colocar a própria pele à serviço do cinema sério. Não, não surtei. Não trata-se de "Doze homens e sei lá qual segredo". Quem assistir "Good Night and Good Luck" vai seimpressionar. Primeiro há tempos q não se exibe um filme em preto e branco e segundo por contar uma história americanae não qualquer ficção barata.


“Boa Noite e Boa Sorte” (Good Night, and Good Luck, EUA, 2005) revive a história de censura televisiva norte-americana acontecida nos bastidores da CBS (Columbia Broadcast Station). Tempos em que o senador republicano Joseph McCarthy promovia perseguições contra pessoas com comportamentos comunistas. Edward Murrow (David Strathairn), jornalista enfrentou bravamente a emissora e o Senador. Em seu ponto de vista, a Televisão não servia para entreter ou alienar (cujo fim foi tomado hoje), mas como um instrumento de educação. Porém, para o dono a emissora, as pessoas queriam Ed Sullivan Show (nosso popular Faustão) e não lições cívicas.


Detalhes para tanto consumo de cigarros. Típico bastidor jornalista. Além do milagre da Edição e Trilha Sonora que faz qualquer profissional da Comunicação tirar o chapéu. Imagine se hj William Borner apresentasseo Jornal Nacional fumando um cigarro? Rá - O Ministério da Saúde mandaria linchá-lo. Mas Murrow fazia e com mta classe por sinal. E o melhor de td é ver como era os comerciais de Cigarro. Uma gde apologia. Se vc tinha bom gosto e era um cidadão crítico, com certeza vc fumaria "Kent". Infelizmente, em nosso país, não temos um modelo ou uma referência de Jornalismo.Tds querem ser imparciais demais ou tecnológico demais. Nostalgia de não ter vivido nos anos 50. Thank you, Mr. CLooney.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Todos estão Surdos


Todos estao surdos e ninguém faz nada. As pessoas andam ocupadas com seus fones nos ouvidos. Olhares distantes, tão distantes quanto suas próprias presenças. Nos ônibus, nas filas de banco e nas ruas com seus mp3 players, IPOD e celulares.

Todos estao surdos. Isso não é um manifesto político, mas tecnológico. A grande questão é: Esbaldamos-nos das tecnologias usando-as à torto e direito ou somos nós escravos das máquinas? Vc sabe o número do celular do seu melhor amigo sem consultar as últimas ligações feitas? Quanto tempo vc tolera ficar sem internet?

Talvez vc não esteja me ouvindo porque deve estar entretido com algum brinquedinho tecnológico e é por isso que digo que todos estão surdos. Nossas crianças que antigamente corriam pelas nossas ruas e jogavam bola nos nossos campos, hoje jogam Winning Eleven nas salas suntuosas que criamos, fruto do nosso trabalho, mas não nos damos o trabalho de desfrutar.

Ficamos surdos. Não ouvimos o grito da natureza e fomos agraciados pelo Aquecimento Global. Não ouvimos Gandhi e estamos matando uns aos outros. Não ouvimos Lennon qdo ele disse que o sonho acabou. Estou surda. Não ouço mais os meus sonhos e nem minha músicas preferidas. Não ouço meu vizinho pq nem o conheço. Eu não me ouvi e agora é tarde demais.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Morra Coelhinho, Morra


Ai q alegria,a Páscoa chegando. Maior do que a dor de barriga, é a dor no bolso de quem vai contemplar alguém com o Ovinho do Coelhinho. Esse ano notei q foi a Recessão do Mr.Bunny. Antigamente, lembro que meus pais compravam o chocolate super antecipado pq certamente na última semana teriam apenas os ovos quebrados. Rá! Quebrado tá é o povo pq fui no supermercado e constatei que as guirlandas de chocolate estão tão enfeitadas qdo do primeiro dia da exposição. Nota-se q o Ovo de Páscoa está mais salgado do que o Bacalhau kkkkk.

E o Ovo, oras. A graça da Páscoa é o chocolate. Pura e liberada comilança. Tu aguardava chegar esse Santo Dia para cair no pecado da Gula.Sentar no chão e se lambuzar. Virar os olhinhos de tanta glicose no sangue. E além de comer o ovo, comer os bombons q vinham dentro. Agora, humpf! Inventaram moda de pôr brinquedinho. Esse ano me decepcionei qdo soube que até rádinho tem dentro do Ovo. Na boa, se eu quizer ganhar brinquedo, o Dia das Crianças serve pra isso.