Já são quase 3 meses de separação. Sobrevivi. O mundo deu muitas voltas. Saí do vale das lágrimas caí no rio do álcool e hj bem, hj nao sou mais a mesma. Mudei. A dor me fez outra pessoa. Transformou-me em uma mulher. Costurei-me com os instrumentos q tinha e fiquei com cicatrizes de guerra. Mesmo assim estou orgulhosa de mim.
Quando sua dor a aproxima das pessoas vc nota q de repente seu problema não é nada perto dos outros e que tem muita gente parecida contigo. Quem já passou pode dar o testemunho e vc decide o q fazer com essa informação. Eu reuni muitas historias, conselhos e experiências de pessoas queridas q de certa forma tentaram me confortar. Sou só agradecimentos.
E eu precisei disso tudo. Um término de relacionamento de 5 anos na casa dos 30 em nada se assemelha qdo vc está na adolescência ou na casa dos 20. A não ser o chororo, fossa e a marca do pé na Bunda ou da voadora nas costas, como foi o meu caso. Não rola vc sair e pegar o primeiro q lhe dá moral. É tudo tão estranho.
Começa pelo teu guarda roupa q não precisa ser necessariamente de uma mulher casada, mãe de família, mas q também não é sexy, não é cult e tem roupas que cobrem seus ombros, pernas e decote. Depois vem a sensação de peixe fora d'água nos lugares. Vc se assusta com o preço da cerveja, vc se choca ao ver meninas q pegam 2 ou 3 enquanto vc não sabe nem quem tá tocando naquela noite.
Se vc eh do tempo da paquera, então vc sofre. Não da pra competir com quem tá no mercado há mais tempo q vc. Decidi me diverti. Do rock ao sertanejo. Arrocha que ela gosta. Permiti-me. Fiz amizades femininas. Descobri que sim, a vida continua e que sim, dá pra ser feliz sozinha.
O mais importante: descobri que não se fica tanto tempo sozinha. Depois de viver, do meu jeito, essa experiência, a gente descobre que pode voltar a ser interessante aos olhos dos outros. E quando vc passa por uma barra dessas e sobrevive, isso t torna especial. T fortalece. T prepara para o próximo.
Acho q darei conta de viver um novo amor se a vida me permitir. Desse novo amor não peço muito, mas me conhecendo como eu sei, calculo que será um grande desafio. Sempre é. Se não for uma superação pra mim parece q não tem graça. E amor tem q ter um quê de dramalhão. E os amores que chegam conforme nossa idade avança vem cada vez com a bagagem pesada. Ex marido, ex mulheres, filhos, contas, famílias etc. Um pacote com ônus e bônus. Um sonho de tentar ser feliz e acreditar q agora vai.
Vou deixar o tempo correr. Vou amarrar a minha ansiedade. Vou dormir até tarde, deixar a louça acumular na pia e comer porcaria sem minha mãe saber. Morar sozinha t permite essas coisas. Deixarei os sapatos fora do lugar, toda maquiagem espalhada no banheiro e o roupeiro lotado. Sem marido, ninguém me manda. Estar sozinha, sim pq é um estado, deve ser um tempo bem aproveitado, curtido. Mas prometo que não quero me estender tanto tempo assim. Qdo eu enjoar ou estiver pronta, voltarei com tudo, casamento, aliança, filho e com sobrenome do marido. E assim viverei feliz para sempre. #amém.
