sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Amores tortos

Amores tortos

Já são quase 3 meses de separação. Sobrevivi. O mundo deu muitas voltas. Saí do vale das lágrimas caí no rio do álcool e hj bem, hj nao sou mais a mesma. Mudei. A dor me fez outra pessoa. Transformou-me em uma mulher. Costurei-me com os instrumentos q tinha e fiquei com cicatrizes de guerra. Mesmo assim estou orgulhosa de mim.

Quando sua dor a aproxima das pessoas vc nota q de repente seu problema não é nada perto dos outros e que tem muita gente parecida contigo. Quem já passou pode dar o testemunho e vc decide o q fazer com essa informação. Eu reuni muitas historias, conselhos e experiências de pessoas queridas q de certa forma tentaram me confortar. Sou só agradecimentos.

E eu precisei disso tudo. Um término de relacionamento de 5 anos na casa dos 30  em nada se assemelha qdo vc está na adolescência ou na casa dos 20. A não ser o chororo, fossa e a marca do pé na Bunda ou da voadora nas costas, como foi o meu caso. Não rola vc sair e pegar o primeiro q lhe dá moral. É tudo tão estranho. 

Começa pelo teu guarda roupa q não precisa ser necessariamente de uma mulher casada, mãe de família, mas q também não é sexy, não é cult e tem roupas que cobrem seus ombros, pernas e decote. Depois vem a sensação de peixe fora d'água nos lugares. Vc se assusta com o preço da cerveja, vc se choca ao ver meninas q pegam 2 ou 3 enquanto vc não sabe nem quem tá tocando naquela noite. 

Se vc eh do tempo da paquera, então vc sofre. Não da pra competir com quem tá no mercado há mais tempo q vc.  Decidi me diverti. Do rock ao sertanejo. Arrocha que ela gosta. Permiti-me. Fiz amizades femininas. Descobri que sim, a vida continua e que sim, dá pra ser feliz sozinha. 

O mais importante: descobri que não se fica tanto tempo sozinha. Depois de viver, do meu jeito, essa experiência, a gente descobre que pode voltar a ser interessante aos olhos dos outros. E quando vc passa por uma barra dessas e sobrevive, isso t torna especial. T fortalece. T prepara para o próximo. 

Acho q darei conta de viver um novo amor se a vida me permitir. Desse novo amor não peço muito, mas me conhecendo como eu sei, calculo que será um grande desafio. Sempre é. Se não for uma superação pra mim parece q não tem graça. E amor tem q ter um quê de dramalhão. E os amores que chegam conforme nossa idade avança vem cada vez com a bagagem pesada. Ex marido, ex mulheres, filhos, contas, famílias etc. Um pacote com ônus e bônus. Um sonho de tentar ser feliz e acreditar q agora vai. 

Vou deixar o tempo correr. Vou amarrar a minha ansiedade. Vou dormir até tarde, deixar a louça acumular na pia e comer porcaria sem minha mãe saber. Morar sozinha t permite essas coisas. Deixarei os sapatos fora do lugar, toda maquiagem espalhada no banheiro e o roupeiro lotado. Sem marido, ninguém me manda. Estar sozinha, sim pq é um estado, deve ser um tempo bem aproveitado, curtido. Mas prometo que não quero me estender tanto tempo assim. Qdo eu enjoar ou estiver pronta, voltarei com tudo, casamento, aliança, filho e com sobrenome do marido. E assim viverei feliz para sempre. #amém.


segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Amor de Vizinho





Sempre morei em casa. No centro da cidade. Bem na selva de pedras. Carros, buzinas e barulho. Só na infância tive amigos da rua, depois de um pouco mais crescida não mais. Pra não dizer que eu não tinha amigos, restou o Rubens q morava na rua do lado e o Daniel que morava no bairro próximo. Éramos os 3. Daí a gente cresce, muda de escola e se distancia.

Pra piorar sou filha única por parte de pai e caçula por parte de mãe. Então, pra brincar só com as primas e as amigas da escola. Quando eu era criança eu tinha inveja de quem morava em bairro. Eu via as primas brincando na rua e eu morava numa avenida hiper movimentada. Pedia para os meus pais para eu mudar de casa, só para ter mais amigos. Meu sonho era ser uma criança da rua e não “de rua”.

Agora eu consegui ter a minha casa. Digo, apartamento. E é em um bairro. Qdo ficamos adultos acontece aquela coisa de vc se fechar. E tb esquecer que vc era doida para ter mais amigos pertos, vizinhos. Precisou acontecer uma tragédia pessoal para que eu ganhasse amigos.

Eu não sei o q seria de mim sem os meus vizinhos. Sem aquela pessoa q bate na tua porta mesmo a casa uma zona e a pia transbordando de louça. É tanta intimidade que não me sinto constrangida. Justo eu que não bato, não ligo antes de visitar, eles me ensinaram que não pode ter frescuras com eles. Sou eu na versão mais crua e bruta possível.

Assisto tv na casa deles. Tomamos tereré. Sentamos em frente ao bloco pra tomar cerveja. Eles vem me ver. A vizinha de cima além de dividir a internet bate na minha porta para q eu mate as baratas que venham aparecer. A vizinha da frente me liga pedindo pra ajudar a abrir uma garrafa de vinho. Tenho vizinhos que me dão remédio pra dor de cabeça quando estou de ressaca. Por essas e outras eu descobri que eles são como anjos da guarda.

Em tempos de facebook, de gente que mais olha no celular do que nos olhos, ter eles por perto é uma benção.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Like diamonds in the sky




É preciso aprender a digerir. A parar de fuçar. A não desenterrar os mortos. A não reanimar os ossos e restos de sentimentos. Não, não querer voltar ao passado. Bastam as lembranças q batem e me arrebentam como as ondas enfrentam as pedras imóveis da praia.

Não é inveja. Não é isso. É algo que não tem nome. É uma mistura de perda e de saudade. Uma dor no peito. Um buraco que não sangra. É uma falta. É a história da minha vida passando por mim sem eu estar pra morrer. É a consciência batendo. É vc ver td q vc jogou fora e não ter como pegar de volta.

Finjo q sou adulta, finjo q ando e não olho pra trás, eu não posso olhar pra trás, afinal faz tanto tempo, tantos anos. É como se nada não existisse, como se nunca tivesse entrado na tua vida. No check-in or check-out.

Tudo tem uma razão de ser.

Precisa ter uma razão de ser.

Até as despedidas.

Q sirva a lição. Q seja como eclipses, aconteçam a cada cem anos.

Ninguém nos treina pra isso na vida.

Ninguém nos treina para quando o Amor acaba.


Não tem manual de primeiros socorros, nem livro de auto ajuda e nem conselho de mãe q nos faz passar por isso.


No Amor ninguém sai ileso.


Com o tempo a gente se costura. Tapa Buraco. Distraí-se. Raiva, lágrimas, lembranças. Td nessa ordem. Deixemos nas mãos do Sr. Tempo o trabalho sujo. Vamos nos recompondo, ao nosso modo, do jeito q dá.


Duro é qdo bate a saudade. Qdo vem tudo de uma vez só. Um gole em uma garrafa de dois litros. A gente baba e se engasga. Afoga. Quase se mata. Uma sede de notícia de anos de deserto. Anos sendo ermitão de um sentimento.


É nessa hora em que a gente se arrebenta. Se queima, se esfola. Às vezes é preciso um choque desses. Pq se ainda mexe é pq não estamos curados, não é mesmo? Vai que agora a ficha cai. Vai que agora a vida anda.


Não podemos nos arrepender. Arrependimentos travam a vida. O mundo não pára. O tempo não pára. Td se move ainda que estejamos no chão. Ainda que quebrados. Nada pára. A grande ordem do Universo é o movimento. Seguem-se dias e noites. Passam-se meses e se fecham anos. Fazemos aniversários. Declaramos imposto de renda. Vamos ao supermercado e aos poucos a vida segue, nem que seja arrastada.


Não tem como nadar contra.


Não há como escapar.


Às vezes sobreviver às tormentas é um castigo.


A gente não sabe o q fazer com essa história que acabou. Não cabe nas nossas gavetas. Não passa pela garganta.


Só sei que fica esse quadro em branco na nossa frente. Sem uma letra. Sem um titulo. Temos que criar uma história.


Vai passar. Semana q vem nem me lembrarei disso tudo. O Natal está aí. O Ano Novo baterá em minha porta, nos fogos de artifício, na minha taça de champanhe.


E eu vou superar. Eu vou ser sábia. Eu vou entender. Eu vou rezar. Vou enviar os melhores pensamentos. Vou querer que todos sejam felizes. Não haverá espaços pra saudades, rancores ou qualquer sentimento pequeno. Não mais.


Vou evoluir.

E vou lembrar. Sem dor, Com amor.

Sempre.





terça-feira, 30 de outubro de 2012

Terra chamando!!!!

Alô Alô Marciano!!!

Eu tenho esse blog já tem um tempo. Ele deve ter uns 5 anos. Uma criança praticamente. Ou se contar conforme a idade dos cães, bem... ele deve estar para idoso. Como não dá para se medir o tempo na internet... ou será q dá? Não sei quanto valem esses anos para um espaço em que o tempo de conexão para uns é um piscar de olhos. Tudo isso me surpreende na internet e talvez seja por isso q eu vivo fascinada com as novas tecnologias. Coisas q Madame Zwarg colocou na minha cachola.

Confesso q há vezes em q eu sumo do blog. Ou estou sem tempo ou sem assunto. Na realidade mais sem tempo. Assunto a gente inventa. O sr. Tempo é quem me domina. Enquanto eu for sua escrava parte da minha infelicidade é sua culpa.

Fuçando nas configurações do meu blog eu comecei a ver e me interessar quem me lê. Olhando o mapa mundi eu me admirei em ver que fora do Brasil tem gente q me lê. Indo mais a fundo descobri que tenho leitor(es) na Rússia, acreditam??? E tem um ser humano da Letônia tb, não digam q isso eh coisa phyna minha gente?

E a curiosidade bateu mais forte. São brasileiros? Amigos que foram embora? De repente eles são meus fãs e quem sabe ganho até uma estada na casa deles, em troca de versos e prosas. Tem uma pessoa do Canadá, que é a Madame Zwarg supracitada, e tem uma pessoa dos EUA. Dizem que a curiosidade matou o gato. E eu estou quase com o pé em um crime ambiental só pra saber quem sao essas pessoas.

Passei tanto tempo da minha vida escrevendo em cadernos, diários e cartas dividindo com um mínimo de pessoas meus versos e prosas que passou pela minha cabeça que ao ter um blog eu estaria vagando sozinha na internet tb. Afinal, eu apenas posto. Alguns amigos comentam e tem gente q nem comenta (vamos tratar de dar um oizinho aih embaixo galera), mas nunca fiz disso uma obrigação ou bater o ponto, apesar de ser um oficio da minha alma.

A tds vcs q me lêem e me acompanham saibam que agradeço cada caracter, cada clic que vcs destinam a mim e ao meu blog. Nunca se esqueçam: mi casa és tu casa.

sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Bel Far Niente




Significado: Não fazer nada. Aprendi com a escritora Elizabeth Gilbert autora do livro Comer, Rezar e Amar. Em um ano sabático ela vai para Itália, Índia e Indonésia em busca da realização dos três verbos. E consegue. Mas é na Itália que ela descobre q arte Bel far niente é a beleza de não se fazer nada.

A beleza de não fazer nada é o objetivo de todo nosso trabalho, a realização final pela qual se recebem os mais calorosos elogios. Quanto maior a elegância e o deleite com os quais vc conseguir não fazer nada, maior a conquista na vida. página 70.

Isso para nós do lado de cá do oceano se chama PRAZER. E para quem é adulto ele vem acompanhado de CULPA. E eu estava preocupada com o dia do meu aniversário pq eu não sabia o q fazer com ele. O q fazer no dia. Reunir família ou amigos? Festar? Beber ???

Resolvi fazer o q eu queria. Como na empresa em q eu trabalho tenho direito a um dia de folga, pedi no dia do meu aniversário. Numa quinta-feira. Chamaram-me de louca porque eu deveria ter pedido na sexta só pra EMENDAR. Coisas de brasileiro. Eu não. Meu desejo esse ano era: não quero passar dentro do meu ambiente de trabalho o MEU dia.

Mas o q vc vai fazer ????

Acordei às nove. Fui para o salão me depilar às 10 da manhã. Almocei com meus pais. Voltei para fazer as unhas. Recebi ligações, sms, mensagens no whatsapp. Mensagens no Facebook. Comprei um rodo moderno em q vc não precisa pôr a mão pra extrair a água suja. Atravessei a cidade para comprá-lo. Dane-se, eu não vou mais acabar com o meu esmalte da semana por conta de atividades domésticas. Voltei pra casa, dei uma volta com a minha cachorra até ela cansar. Lavei a louça. Coloquei as roupas pra bater na máquina de lavar. Fiquei duas horas no celular com a minha prima.

Pra muita gente é programa de índio, mas pra eu conseguir passar o dia sem prestar contas dos meus minutos é um grande presente. Não levar desaforo de gente estranha uma vez ao ano é uma glória. Almoçar num tempo superior a 15 minutos é um luxo. Ando escravizada pelo tempo, mas hoje, no dia em q eu nasci libertei-me por 24h de todas as correntes que carrego pelo resto do ano.

E agora devo ir, porque uma folga dessas, só no ano q vem.




domingo, 21 de outubro de 2012

A dor de ser Mulher


Hj rolou uma daquelas epifanias, justa aquela q dá qdo vc está realizando a atividade mais banal do dia. Numa medida de economizar uns reais decidi por conta própria depilar a sobrancelha. De pinça e tesoura na mão decidi retirar apenas os pêlos extras, afinal, não sou nenhuma depiladora profissional e qualquer pêlo a mais significa um desenho um pouco estranho além de um olhar desconfigurado. Extraindo pêlo por pêlo de repente me dei conta que nenhuma mulher nessa vida não está salva da dor.

O que fazemos por nossa beleza, vaidade e estética não foge em nada de métodos medievais. Se for preciso sacrificar nosso corpo, ser mutilada ou matar alguém na rua, nós mulheres o fazemos. Primeiro nos enfeiamos para no final ficarmos bonitas. Colocamos papéis laminados de cozinha em nossos cabelos, o mesmo que usamos para assarmos carne, para fazermos mechas que nos darão auto estima.

Se tivermos q viver a base de água, sopa e shake para entrarmos em um vestido de festa: YES, WE CAN. Entortamos o rosto a cada gole de chá verde sem nenhuma adoção de açúcar e com mto gengibre para queimar a gordura. E se preciso for, sacrificamos até o último limite da conta corrente para pagarmos pacotes de drenagem linfática, corrente russa ou massagem modeladora, tudo em nome do corpo, #Amém.

E vos digo, meus queridos e queridas, não passamos por todos esses procedimentos estéticos sem sentir dor. Na verdade para mulher chegar ao final de cada estágio da vida não há nada que não seja pela dor. Raríssimas são as mulheres que nada sentem porque a maioria, ah sim, sentem cada desconforto. Primeira menstruação, primeira experiência com a cera depilatória, cólicas, puxa puxa de escova. Colorir cabelos, puxá-los com agulha de crochet  para fazer luzes. Coisas que até Deus duvida.

Eu ainda não cheguei na fase radical, quando o facão entra em cena. Lipoaspiração, cirurgia plástica, arranca uma costela, coloca grampos no estômago. Resolve ser mãe e não importa se é parto normal ou cesária, aonde houver uma mulher haverá uma dor. Física ou emocional.

O que mais me impressiona não é a mulher ter a sina de viver na dor, mas como a enfrenta. Se preciso for arrancar um membro ou se sacrificar por alguém, ela o fará. É como se vencer a dor fosse o prêmio pela resistência. Aguentou? Aki está sua recompensa. Sobreviver é muito feminino. 


quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Sobre despedidas, tchaus e adeus...



Para ler ouvindo: 



Esse ano está sendo Hardcore. Uma montanha-russa. Para kd dor uma alegria e para cada sorriso um pranto. Altos e Baixos. Não é reclamação, é observação. Quando eu acho que td está pronto ou estagnado, a roda da fortuna gira sentido anti-horário e quando percebo não estou mais onde estou.

Infelizmente nesse ano tive um grande dissabor. Estávamos tds grávidos. Esperando o primeiro neto, primeiro sobrinho, primeiro filho da minha concunhada. A cada mês eu comprava um pacote de fraldas. Ela me mandava sms contando como eles acordavam. Contávamos os dias para ver a carinha do Murilo, que carinhosamente apelidei como Mumu, docinho de leite, como se diz no Rio Grande do Sul.

No nono mês de gestação o perdemos. O primeiro momento foi de um desespero sem fim. Acordamos chorando. Chorávamos em lembrar. Chorávamos por estar longe. A cada telefonema uma notícia, nunca boa. Acompanhávamos como quem acompanha novela. Foram dias de capítulos. Nós aqui, sem podermos fazer nada. A não ser orar e pedir.

Depois do desespero veio a pergunta: Por que? Podemos encontrar respostas em laudos médicos, em exames, em certidão de óbito, mas para nossa alma nada disso nos aquieta. A cicatriz se cura, mas a ferida no espírito é uma dor latente. O remédio engana o corpo, mas a saudade e a tristeza não nos permitem que sigamos.

A vida do Murilo durou 9 meses. Tempo exato para que ele mostrasse que sim, somos uma família. Alegramo-nos com sua vinda assim como permanecemos juntos na sua despedida. Esse ser, que nem tocou a Terra teve muitas missões em uma única existência. Mostrou o tumor que sua mãe carregava, provou que estávamos prontos para recebê-lo, mas especialmente o Mumu me fez sentir pela primeira vez parte dessa família. Isso jamais vou esquecer.

Às vezes dura-se ou duramos como se deve durar. Para alguns se dura anos, para outros meses. Dura-se como dura uma estação. Depende da semente que deixamos ou das folhas secas que produzimos. Quero ser flor na vida dos outros. Ser primavera, ser verão. Ser sol. E quando houver chuva ou frio que eu tenha sabedoria e paciência para encará-los.