
Td mundo queria q as coisas fossem diferentes. Q tivesse nascido em um outra época. Q seu cabelo fosse mais liso. Q vc fosse mais francesa e menos brasileira. Q sua genética colaborasse contigo. Q o dólar abaixasse. Q a Europa fosse mais ali. Tão ali quanto o Paraguai.
A gente quer Happy End e não a vida sob os olhos de Buñel. Fica essa coisa de jogar o corpo na cama e os olhos no teto e nos perdemos dentro dos nossos próprios balõesinhos que criamos. Presta vestibular pra Direito, mas no fundo quer fazer Gastronomia. Trabalha atrás de um balcão, mas sonha em ser Bailarina.
Por quanto tempo nos anulamos? A gente usa aquela desculpa que precisa ter grana pra ser feliz na vida, só que não consegue nem controlar o salário que ganha. Fala que não está feliz aonde mora e se muda pra mil quilômetros longe das pessoas para descobrimos depois que elas são essenciais pra nossa sobrevivência.
E quanta gente tem talento e se esconde do seu próprio dom. Temos medo que os outros o descubra, mas o maior medo é o de se entregar à sua própria arte. Quantos músicos já se passaram pelos nossos olhos travestidos de motoristas de ônibus. Quantos poetas já se revelaram diante de ti, mas se disfarçam em paletós.
Talvez esse seja o maior Carnaval. Nosso próprio Baile. Enquanto formos máscaras. Enquanto formos casca. Enquanto formos folhas ao vento. Tudo será como antes.




